Numa relax, numa tranquila, numa boa… Vim aqui para te dizer, que, está no ar, o episódio 14 e é com o cara mais louco da Tijuca, o “Tião Maia,” em sua melhor fase, a Racional.

 


Seja um sócio do Clube da Música Autoral

Imagine poder votar no artista que fará parte de um episódio do Clube. Imagine poder fazer parte de um grupo secreto, onde você pode interagir, dar seus pitacos e receber conteúdo extras.

Imagine além de tudo isso, você poder receber os novos episódios antes de todo mundo e ainda por cima, levar uma camiseta do Clube da Música Autoral.

Acesse a página clubedamusicaautoral.com.br/assine e veja como se tornar um sócio do Clube.

 

WhatsApp

Se preferir, você pode receber os episódios do Clube através do WhatsApp. Basta clicar neste link e enviar a mensagem de confirmação que estará no campo de texto.

 

Gostou do Clube da Música Autoral?

Se você gostou deste podcast, acesse o perfil do Clube da Música Autoral no iTunes e faça uma avaliação.

Fazendo isso, você estará ajudando o Clube crescer e alcançar mais pessoas.

Siga o Clube nas Redes Sociais - Facebook | Twitter | Instagram

Deixe um comentário ou envie um email para:

clubedamusicaautoral@gmail.com

Transcrição do Episódio

Olá, sejam bem-vindos ao Clube. Faz tempo que eu quero contar a história do “Tião da Tijuca. Pensa num cara bem louco. É ele, “Tim Maia” e sua fase mais emblemática, com certeza, é a fase racional. Quer entrar nessa viajem comigo? A próxima parada, é o Universo em desencanto.
Sim, caro amigo do Clube, Tião, leu e releu esse livro aí, “O Universo em Desencanto” e pirou. Entrou de cabeça nos mandamentos, pois o livro, explica de onde viemos e para onde vamos, de uma forma não muito convencional. O mentor, é o “Racional Superior,” um alienígena, que nos trouxe até a Terra e vai nos levar de volta, assim que cumprirmos nossa missão e nos desmagnetizarmos. Você, com certeza já ouviu algo parecido em algum filme de ficção, não é?
Mas, Tim Maia, ficou tão impressionado com as revelações do livro, que chegou a mudar seu estilo de vida desregrada. Tim, gravou dois discos sob o apelo da temática, “Cultura Racional” e para isso, precisou romper com a gravadora, converter sua banda, tornar-se um missionário e fundar sua própria gravadora… vejam só. O problema, é que pouco tempo depois, de saco cheio de tudo aquilo, voltou a ser o velho Tim de sempre. Cara, ele deve ser o personagem mais louco da história da música nacional.
E aí, você está me acompanhando nas redes sociais? O Clube, está no Twitter, Instagran, Facebook e YouTube. É só procurar por “Clube da Música Autoral,” que você já começa a fazer parte desse Clube, logo de cara. Se ouviu algum episódio da segunda temporada e gostou, deixe um comentário; os melhores serão lidos em um episódio extra, no fim da segunda temporada.
Quero dar um salve ao Diretor do Clube, Henrique Vieira de Lima e aos recém-chegados diretores, Emerson Silva Castro e Caio Camasso. Eles são mais que sócios, são membros da diretoria do Clube da Música Autoral. Sejam bem-vindos!
Você, também pode se associar e assim, me ajudar a escolher os novos temas do Clube. Os sócios, são muito importantes; é graças a eles, que o Clube, continua com a missão de espalhar música e boas histórias pela rede.
Ser sócio, custa a partir de 10 reais por mês e você pode assinar, através do “PicPay,” do “PagSeguro” e do “Apoia.Se.” Mas, se você não quiser assinar nada, pode também fazer uma doação, tá? Todas as informações, inclusive um vídeo meu, explicando os planos de assinatura, você encontra no site: clubedamusicaautoral.com.br/assine
E olha, vocês sabem que para ouvir podcasts, é necessário baixar um aplicativo dedicado, assinar o feed e tudo mais, né? Mas no site do Clube, tem o link para lista de transmissão do WhatsApp. Assine gratuitamente e receba os novos episódios, direto aí, no seu smartphone, no seu WhatsApp. Daí, você compartilha com aquele brother que ainda não conhece, mas precisa ouvir boas histórias das músicas. O que você acha? O site do Clube, é o “clubedamusicaautoral.com.br.” Lá, tem todas as informações, os links… fica a vontade; dá uma olhada lá.
Cadê o retorno!? Cadê o retorno!?
Então é isso… recados dados; nave abastecida. Eu peço atenção aos tripulantes, pois, estamos prestes a partir para um novo universo; o universo em desencanto; um universo, cheio de altos e baixos; o universo do Tim Maia. Vamos nessa!
Com apenas 17 anos, um jovem rechonchudo da Tijuca, sabe-se lá como, desembarcou nos E.U.A. Lá, ele ficou conhecido como “Jim the Braziliam;” era o Tião da Tijuca. Sua intenção, foi ir estudar cinema na América, mas, acabou se perdendo, assim que chegou no aeroporto.
Tim, ou “Jim,” como preferir, morou de favor, lavou pratos, foi auxiliar de pedreiro, cuidador de idosos, mas logo, começou a livrar o almoço, cantando à capela, ao lado de uma banca de Jornais em Tarrytown, uma pequena cidade, ao norte de Nova Iorque. Foi lá, que o Tião, conheceu “Roger Bruno,” um adolescente, que tinha os mesmos anseios que Tião, pela música. Juntos, formaram um grupo vocal, chamado “The Ideals.” Roger, conta que “Jim The Brazilian,” ficou famoso na pequena cidade, pois, cometia pequenos delitos. Ele, pulava a catraca do trem; se envolvia em brigas; roubava comida… enfim, ele era muito louco, né?
Tião, gostava de se sentar na escadaria da igreja batista e fumar um baseado, enquanto ouvia as belíssimas canções religiosas da soul music, que ecoavam de dentro da igreja. Logo, se encantou pelo “movimento Black.” E James Brown, era a sensação dos anos 60.
Em 21 de novembro de 1962, aconteceu o famoso concerto no Carnegie Hall, em Nova Iorque, que lançou definitivamente, a Bossa Nova nos E.U.A e logo, no mundo todo. João Gilberto, Tom Jobim, Luiz Bonfá, Roberto Menescal, entre outros, se apresentaram nesse dia.
Tião, acreditava que o diferencial, seria gravar uma demo com aquela banda. Então, ele descobriu onde os músicos estavam hospedados e sabe-se lá como, conseguiu convencer o baterista “Milton Banana” e o baixista de jazz, “Don Payne,” a acompanhá-lo até um pequeno estúdio, onde gravaram a canção, “New Love,” de autoria do Tião. Essa rara gravação, eu não achei, infelizmente, mas alguns anos depois, Tim, a regravou, em seu disco homônimo, de 1973. Ouça New Love.
Essa Jogada de Tim, deu certo e os Ideals, começaram a viajar em turnê. Eles, faziam até 3 shows em uma única noite, lá na América, mas o comportamento errático, sempre o colocava em problemas. Roger, disse que um belo dia, recebeu uma ligação; era o brasileiro Jim; ele estava preso e dessa vez, era grave. Ele, foi pego com alguns delinquentes, que estavam fumando maconha dentro de um carro. Pra piorar, o carro, era roubado.
Tião, pediu que Roger, pagasse a fiança e o tirasse da prisão, mas não foi o que aconteceu. Ele, acabou ficando 6 meses preso lá na América, antes de ser deportado para o Brasil.
Roger, disse que ficou muito chateado, pois Tião, foi embora, prometendo voltar para matá-lo. Ele, acreditava que o colega de banda, o havia traído. Roger, por sua vez, se arrepende e diz, que as vezes se pega pensando, o que teria acontecido se Jim, the Braziliam, tivesse continuado sua carreira na América. Boa pergunta.
Chegando no Brasil, Tião, ainda teve que puxar mais 8 meses de prisão. Quando finalmente foi solto, descobriu que seus amigos da Tijuca, estavam famosos. Então Tião, partiu para São Paulo em busca de ajuda, do até então, desafeto, o “Brasa,” Roberto Carlos e Erasmo Carlos, seu parceiro, ídolos da Jovem Guarda.
Essa história é demais, mas para entendermos, acho melhor voltar um pouco essa fita.
Sebastião Rodriguez Maia, nasceu no bairro da Tijuca, Zona norte do Rio de Janeiro, em 1942. “Tião da Tijuca,” foi seu apelido durante toda a juventude. Mas na infância, ele foi o “Tião Marmita”, pois, entregava as marmitas que sua mãe vendia.
Na Tijuca, o famigerado “bar do Divino,” era o point de encontro da moçada; entre eles, frequentavam lá, Tim Maia, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Jorge Bem… Foi lá, que Tião Maia, ao lado de Roberto Carlos, Arlênio Livio, Edson Trindade e Wellington Oliveira, montaram o grupo vocal, “Os Sputiniks.” O nome, foi sugerido por Tim Maia, que tinha paixão por viagens espaciais e OVNIs. Mas, essa não foi a primeira banda do Tião, antes, ele foi baterista dos “Tijucanos do Ritmo;” um grupo formado na igreja, que ganhou notoriedade.
Nessa época, Tim, estava fascinado por Litle Richard e pelo Rock n’ Roll. Os Sputiniks, conseguiram uma apresentação na TV Tupi, mais precisamente, no programa “Clube do Rock,” que era apresentado, por “Carlos Imperial.” Eu falo sobre isso, também no episódio 10 do Clube da Música Autoral, “O Portão,” de Roberto Carlos.
Carlos Imperial, gostou do grupo, mas Roberto Carlos, os traiu. Ele, procurou Carlos Imperial e combinou uma participação, solo, sem os Sputiniks. Quando o Tião Maia, descobriu a jogada do Robertão, já viu, né? Partiu pra porrada, mas a “turma do deixa disso,” separou. Tião, ficou muito puto com Roberto Carlos e saiu da banda e para piorar, pouco tempo depois, seu pai, “Altivio Maia,” faleceu. Então Tião, desolado, mentiu a idade, falsificou documentos e acabou indo para os E.U.A, sabe-se lá como.
Quando voltou ao Brasil e ganhou a liberdade, Tião foi procurar Roberto Carlos, mas acabou sendo ridicularizado. Inclusive, a cena do filme, “Tim Maia,” de 2014, que ele pede ajuda; diz que está sem dinheiro, até para comer e Roberto, lhe dá um par de botas e seu produtor, joga algum dinheiro no chão pra Tião pegar, é verdade, tá? Vamos ser sincero, o rei, vacilou. Sim, todos nós vacilamos. O sucesso sobe na cabeça e ele, o Robertão, era jovem nessa época, algo compreensível. Mas a Globo, não aceitou; não quis manchar a imagem do rei. Detendo os direitos do filme, exibiram uma mini-série, sobre a vida de Tim Maia, em que acrescentaram cenas com entrevistados e exatamente nessa cena, do dinheiro, eles cortam e em seu lugar, aparece o Robertão, saudosista, bem humorado; sem economizar elogios, ele relembra do talento nato de Tim Maia e fica por isso mesmo.
Olha, custou, mas Tião maia, conseguiu fazer algumas apresentações com Roberto e Erasmo, porém, a panelinha o excluía. Foi difícil pra Tião, se encontrar dentro daquele espetáculo televisivo, que era a Jovem Guarda. Difícil até, por questões de estética, sabe?
Descontente com tudo aquilo, Tião, resolveu voltar para o Rio e então, conheceu “Fábio, um compositor e cantor paraguaio, que havia escrito algumas canções, que estavam fazendo sucesso na voz de outros intérpretes. Fábio, estava se lançando como cantor. Foi ele que ajudou Tim Maia, na sua pior fase.
Tim, dormia no sofá de Fábio. Ele, se martirizava; não conseguia acreditar, que poucos meses atrás, estava cantando em bares lotados nos E.U.A, fazendo 3 shows em uma noite; que havia aprendido a essência da Soul e da Black Music Americana; que sua voz, colocava qualquer cantor daqueles da Jovem Guarda, no bolso, mas, ele não conseguia espaço…
“- por quê? Por quê?” Tião se perguntava.
Foi com esse pesar, olhando para um quadro que ficava na sala de Fábio, que Tião, compôs, o que muitos consideram a sua melhor canção…
Em 1968, finalmente, Tião, teve oportunidade de por em prática, parte do que havia aprendido nos E.U.A. Ele, produziu o disco, “A Onda é o Boogaloo,” de “Eduardo Araújo.” O disco, trazia pela primeira vez no Brasil, a sonoridade da Soul Music, misturada com a Jovem Guarda.
Em busca de fusões sonoras como esta, Roberto Carlos, pediu que Tião, compusesse para ele, uma canção no melhor estilo Black Music, pois, entendia que a onda Jovem Guarda, era passado. Então, Tim Maia, entregou essa canção aqui para o Robertão. Se liga só…
A partir daí, as oportunidades começaram a aparecer para o Tião da Tijuca. Ele, passou a se apresentar como “Tim Maia,” o rei da Soul Music e era frequentemente convidado, para o programa de rádio, de “Wilson Simonal.” Em 1968, a “CBS,” resolveu testá-lo e lançou um compacto, com duas canções… “Meu País” e “Sentimento.”
A recepção, foi meio fria, mas, Tim Maia, estava no caminho. Logo, conheceu o produtor musical, “Nelson Motta,” que o apresentou a Elis Regina e juntos, lançaram um compacto, “These Are the Songs,” que caiu nas graças dos fãs de Elis e Impulsionou, a carreira de Tim Maia.
Finalmente, em 1970, sob indicação dos Mutantes, vejam só, a “Polydor,” contratou Tim Maia e lançou o seu primeiro álbum, que além da canção, “Azul da Cor do Mar,” outras, também foram direto para o topo das paradas, como: “Coronel Antonio Bento,” “Cristina” e “Primavera.” A “Rolling Stone,” elegeu o disco de estreia de Tim Maia, como o 25º melhor disco brasileiro de todos os tempos.
O Tião da Tijuca, havia finalmente conseguido. Ele, ficou famoso e rico, muito rico. Atingiu seu objetivo, após duras penas. Logo, sua vida de excessos, passou a atrapalhá-lo. No ano seguinte, Tim, lançou, mais um bem sucedido disco… Se liga, ó…
Tim Maia, passou a assinar também, a produção musical de seus discos e para conseguir isso, teve que roubar os rolos de fita com as matrizes originais de suas gravações. Uma cena inesquecível, é Tim Maia, correndo pela rua com as fitas e o produtor, “Michael Sullivan,” correndo atrás e gritando:
“- Pega ladrão! Pega ladrão!”
Nesse disco de 1971, Tim, descobre o seu estilo; o Pop Soul dançante. Ele, conseguiu o imprimir pela primeira vez, na canção “Não Quero Dinheiro.”
Tim, era um gênio da música; isso é inegável. Ao mesmo tempo, seu temperamento errático, continuava lhe dando problemas. Honrar seus compromissos, sempre foi um grande problema para Tim e quanto mais dinheiro ele ganhava, mais os excessos aumentavam.
Em 72, Tim Maia, lançou seu terceiro álbum homônimo e em 73, o quarto. Nesse último, duas canções, também estremeceram as estruturas, “Réu Confesso” e “Gostava Tanto de Você.”
Tim Maia, tem uma incrível história de amor e ódio, com “Geisa,” cujo nome verdadeiro, é “Maria de Jesus Gomes da Silva. Tião, a roubou da casa de seus pais, quando ela tinha apenas 17 anos. Geisa, o acompanhava em todos os shows e por muito tempo, o ajudou, pois, apesar de ser loucona como ele, ela, até conseguia organizar as finanças. Porém, as atitudes erráticas de Tim, só pioravam e ela, não o suportou mais. Em 1973, Geisa, foi embora. Tim, se afundou ainda mais na vida de boêmio alucinado e para piorar, ele passou a frequentar casas de prostituição, além de bancar amigos chupins, que só queriam desfrutar de seu dinheiro.
Olha, Eu tenho um amigo em São Paulo, que foi produtor de shows e ele, me contava histórias absurdas, sobre as vezes que trabalhou com Tim Maia. Uma dessas histórias, me marcou. Tim, exigia no camarim, uma vitrola e um disco de vinil. Ele, abria o saquinho de cocaína e com o disco girando na vitrola, despejava o pó. Quem negasse, era botado para fora do camarim. Tim Maia, vivia assim, cercado de viciados.
Chegou uma época, que a situação, ficou preocupante. Tim, estava sem limites. Não ia aos compromissos; rompeu com sua gravadora; muitas festas, drogas; tudo estava nebuloso na sua vida. Porém, num desses dias de farra, na casa de seu amigo, Tibério Gaspar, que Tim, se deparou com um livro. Ele, que odiava ler, por algum motivo divino, abriu aquele livro e começou a lê-lo.
O Tal do livro, se chamava “O Universo em Desencanto.”
Tim, o pegou emprestado e chegando na sua casa, continuou lendo. Logo, comprou os outros exemplares e tornou-se um aficcionado pelo tema, que de certa forma, salvou a sua vida, naquele momento.
Olha, Vou precisar voltar a fita mais uma vez, para conseguir te explicar o que tinha naquele livro, que mudou a vida de Tim, assim, do vinho pra água.
Tudo começou, no dia 4 de outubro de 1935, durante um culto espírita, na tenda de Francisco de Assis, na cidade do Rio de Janeiro. 
A “Cultura Racional, pode ser considerada uma religião, mas seus propagadores, evitam esse termo. O Espiritismo, é a base da Cultura Racional e foi através dela, que “Manuel Jacinto Coelho,” um médium, recebeu as primeiras mensagens, que logo, vieram a se tornar a base do livro, O Universo em Desencanto, da Cultura Racional.
Manuel, dizia receber as mensagens do “Racional Superior,” logo, escreveu o primeiro livro, de uma série chamada “Universo em Desencanto.” Manuel, dizia que a Cultura Racional, era a evolução do espírito, mas, vale lembrar, que na década de 30 e 40, as religiões afrodescendentes, foram insistentemente perseguidas, pelo governo e por movimentos conservadores. Então, para não desaparecerem, iniciaram um processo de negação, ao candomblé e a umbanda.
Mas, a Cultura Racional, ia além desses antigos rituais, eles, não louvavam um deus absoluto, criador do céu e da Terra, eles, idolatravam apenas o Livro, como fonte única e exclusiva, do seu conhecimento e libertação espiritual.
O Universo em Desencanto, é uma enciclopédia gigantesca. Ao Todo, Manuel, escreveu 1000 livros, antes de morrer em 1991. Vou explicar o que eu entendi, a respeito da Cultura Racional…
Nós todos, viemos do mundo racional, sendo assim, somos animais racionais. Ao desenvolvermos o raciocínio, através da energia racional, nós conseguimos nos desmagnetizar e retornar ao nosso mundo de origem; ao mundo Racional. É pra lá, que viajam as almas desmagnetizadas. É como se fosse, um regresso ao lar. Deu para entender?
Na Cultura Racional, o objetivo, é voltar para a sua terra-natal e para que os seguidores, atinjam seus objetivos, basta ler o livro. Lá, eles encontrarão tudo o que precisam para o seu perfeito equilíbrio moral, físico e financeiro, dentro dos seus próprios lares, ou onde estiverem. No entanto, na Cultura Racional, não há necessidade de frequentar lugar algum, como templos, sinagogas, igrejas ou casas de pregação. A pessoa passará a ter com quem contar e onde se agarrar, apenas lendo o livro, que inclusive, influencia beneficamente para que seus seguidores, se desprendam de bens materiais e valorizem o lado espiritual da vida.
Tim Maia, quando leu, levou o livro muito a sério, pois ele, era exagerado em tudo… vocês lembram, né? Tanto, que passou a usar, apenas roupas na cor branca e em sua casa, ninguém podia entrar de roupas que não fossem também, da cor branca. Nem mesmo os sapatos, eram tolerados.
O lado bom, é que Tim, parou de beber e usar drogas. Ele, chegou até a conseguir os endereços de “John Lennon” e “James Brown” e enviou, uma cópia do Livro para ambos, e detalhe, escrito em português. Tim, acreditava que o Racional Superior, se encarregaria de traduzi-lo.
Então, Tim Maia, decretou que em sua banda, não existiria mais bebidas, drogas; nem mesmo o cigarro seria tolerado. Muitos o abandonaram, mas os que ficaram, começaram um processo de composição fantástico. A partir daí, Tim, começou a escrever e compor as músicas, que muitos consideram sua obra prima; a estrela máxima do episódio 14 do Clube da Música Autoral, o disco duplo, “Racional Vol I e Vol II” e é lá, que se encontra o tema desse episódio… “Imunização Racional,” ou se preferir… “Que Beleza.”
Apesar de estar em um dos melhores discos da música brasileira, “Que Beleza,” foi a única canção do Racional, que fez sucesso. Nessa rara gravação, feita durante a inauguração do “Teatro Bandeirantes,” em 1974, Tim Maia, tocou ela pela primeira vez, antes até, de estar totalmente convertido à Cultura Racional. Na época, estava apenas lendo o Livro, mas ouçam vocês, o Tim Maia falando…
A brincadeira, começou a ficar séria mesmo, quando Tim Maia, ficou sabendo da existência de um guru, uma espécie de pai de santo, que morava em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Levado pelo compositor, Tibério Gaspar, Tim, ouviu “Manuel Jacintho,” o líder da seita e escritor dos livros, explicar que os habitantes do planeta, são extraterrestres.
Como Tim, já havia lido o livro e estava aberto aos mandamentos, Manuel, o explicou, que a única saída era a imunização racional e a desmagnetização das coisas ruins desse mundo.
Tim Maia, nessa época, estava de namoro com a sua nova gravadora, a “RCA” e a maioria das canções, já estavam prontas para serem lançadas, em seu novo disco, o tal álbum duplo, um sonho de Tim Maia.
Mas então, sob a influência do guru, Tim, deixou todas as letras já escritas de lado e as reescreveu, baseado em um único tema… ler e conhecer o livro, “O Universo em Desencanto.”
“Que Beleza,” era mais sucinta, por isso, agradou. Essa fase, “Racional,” foi curta, durou apenas 6 meses. Após a negação de Tim, já nos anos 90, “Marisa Monte,” tentou regravar essa canção, mas ela diz, que recebeu uma ligação do próprio Tim Maia, brincalhão e bravo ao mesmo tempo. Ele dizia mais ou menos assim… “Poxa Marisa, estava muito doidão nessa época aí; deixa quieto, para com isso; grava outra canção mais recente. Pô, olha só essa, que eu acabei de fazer…
Quem o conhecia, dizia que era outro Tim Maia. Ele, surgia nos ensaios, com o cabelo cortado, limpo, vestido de branco e totalmente careta, sereno e respeitoso. Entrou numa dieta, começou a perder peso e passou a dormir e acordar cedo. Sexo? Só para procriação. Carne? Nem pensar. – Essa lei, também foi aplicada aos músicos da banda, “Seroma Racional,” o novo nome da banda de apoio de Tim.
A RCA, não gostou nada da ideia de ter seu nome vinculado a uma seita maluca. Tim, estava aparentemente hipnotizado.
Naquela época, os shows de Tim Maia, passaram a incluir, apenas as canções do disco Racional; nada de sucessos antigos, podiam ser tocados em seus shows.
O novo estilo de vida, deixou também, a voz de Tim Maia, ainda melhor, mais potente; melhorou seu fôlego. Sua disposição para ensaios, era inédita. Por sua vez, a banda, também estava em alto nível. Ouvir Tim Maia, na época do Racional, deve ter sido sublime.
A vida pessoal de Tim, também se organizou. Ele, voltou com Geisa, que olha só, estava grávida. Tim, assumiu e registrou o filho dela, o Leo Maia.
Então, a RCA, recebeu a notícia oficial, que os discos, se chamariam: “Tim Maia Racional Vol I e Vol II,” daí, rescindiram o contrato. Tim Maia, não discordou; comprou as fitas já gravadas e resolveu lançar os discos, por conta própria, visando alcançar o maior número de pessoas, na base do boca a boca, pois, acreditava que o Racional Superior, se encarregaria de divulgar o disco para o Mundo todo. Segundo o guru, ele, só precisava gravar e lançar o disco, e deixar por conta do Racional Superior. Olha, de certa forma, Tim Maia, foi o primeiro artista independente do Brasil.
Tim Maia, tinha um acordo financeiro com Manuel, líder da seita. A renda, da venda dos discos e dos shows, seriam divididas meio a meio, entre Tim Maia e a Cultura Racional, do qual, o Pai Manuel, administrava.
Quando os discos, chegaram às rádios e emissoras de TV, deu ruim. Ninguém queria tocar aquelas canções. Tim Maia, atravessou o Rio de Janeiro, Niterói e São Gonçalo, na tentativa de distribuir o disco e os livros do Racional Superior, mas em poucos casos, conseguia deixar o álbum em lojas menores e sempre na base da consignação. Quem comprou o disco na época, foram os fãs mais ferrenhos dele e os devotos da seita.
Tim Maia, estava cego. Ele, não percebia que havia entrado numa fria, pois, apesar dos discos serem ótimos, poucos acreditavam na mensagem do Racional Superior. Para piorar, Geisa, que nunca foi flor que se cheire, estava infernizando a vida de Tim, pois ele, estava totalmente sem grana, duro, vivendo na base da negação material e já havia doado tudo o que tinha, para a caridade. Ele, mal conseguia colocar comida em casa. Sua excelente banda, começou a se desfazer também. Geisa, engravidou de novo e dessa vez, o filho era de Tim Maia. Quando a criança nasceu, o guru, sugeriu dois nomes que segundo ele, já seriam desmagnetizados… “Telmo” e “Carmelo.” Tim Maia, registrou o menino com o nome “Carmelo,” mas se esqueceu e passou a chamá-lo de “Telmo.” Geisa, que já estava de saco cheio de toda aquela história de magnetização e tudo mais, pegou seus dois filhos e foi embora novamente. Pra piorar, Tim Maia, começou a receber denúncias de que o guru, Manuel, estava comprando casas e terrenos com o dinheiro que recebia dos seguidores e pior, boa parte desses seguidores, só haviam aderido à Cultura Racional, por causa da celebridade, que era Tim Maia.
Quando finalmente conseguiu comprovar a picaretagem implícita, Tim, encheu a cara, fumou um baseado, cheirou cocaína, queimou as fitas que havia gravado, mandou destruir todos os discos Racional Vol I e Vol II que existiam, sentenciando assim, aquelas obras, ao status de raridades inegáveis.
Hoje, um disco original da Coleção Racional, de Tim Maia, é facilmente vendido, acima dos 4 dígitos.
Tim, era mesmo uma figuraça. Ele, voltou a ser ateu e nunca mais, tocou nenhuma música dessa fase ao vivo. Além disso, passou a desqualificar qualquer religião, sempre generalizando, em todas as suas entrevistas.
Em 1988, os rappers, “Mano Brown” e “Ice Blue,” passaram a conscientizar seu público com temas ativistas, baseados nos ensinamentos de “Malcolm X, então, Mano Brown, que era fã da Black Music, sugeriu que mudassem o nome do grupo, para “Racionais MCs,” uma influência direta, ao disco negado por Tim Maia.
Já na era digital, na década de 90, o álbum Racional, ressurgiu nas lojas, porém, de forma ilegal. Ele, era pirata e muitos, acusam Pai Manoel, de estar por trás desse lançamento ilegal, mas, ele nega, claro. O fato, é que a versão pirata, ainda trazia duas canções bônus, que não foram incluídas nos lançamentos de 1975 e 1976. Entre elas, “Meus Inimigos” e “Ela Partiu,” que serviu como base para uma das mais conhecidas canções dos Racionais MCs.
O CD oficial, Racional Vol I e II, só foi lançado em 2005. Isso porquê, a aclamação pela obra, ganhou um novo impulso, quando em 2002, foi lançado o filme “Cidade de Deus” e nele, uma canção do Racional, chamava muito a atenção das novas gerações. Olha…
A Rolling Stone Brasil, colocou Tim Maia Racional Vol I, em 17º lugar na lista dos 100 Melhores Discos Brasileiros de Todos os Tempos. O segundo volume, ocupa o 49º lugar.
Racional, pode ser considerado, o melhor acidente da Música Brasileira, pois, independente de crenças, somos gratos a Tim Maia, por ser esse cara, entregue às loucuras da vida. Racional, é um maravilhoso… erro.
Tim Maia, infelizmente, não chegou a ver a volta da aclamação do disco Racional, pois, ele morreu em 1998, antes do lançamento do Filme Cidade de Deus. Mas, se tivesse vivo, com certeza, não teria autorizado.
E é assim, nostálgico que estou, com essa incrível história de fé, protagonizada por um homem sem fé e forjada por seu talento nato, que encerro o episódio 14 do Clube da Música Autoral.
Mas, antes de me despedir oficialmente, quero deixar um apelo… olha, cada episódio desse podcast, do Clube da Música Autoral, que chega até você, dá um baita trabalho para o Cocão e eu, produzi-los, por isso, se você gosta do Clube e quer que continuemos com essa missão, seja um sócio. Isso, vai te custar apenas 10 reais por mês. Acesse: clubedamusicaautoral.com.br/assine
Lá no site, você vai encontrar três opções de assinatura… sócio-oficial, sócio-estrategista e sócio-Diretor. E cada um, te dá benefícios diferentes. Tem um vídeo meu e um do Cocão, explicando tudo certinho.
Ó, se gostou desse episódio, me manda uma mensagem. As melhores, serão lidas em um episódio extra no final dessa temporada.
Para interagir, é só seguir o Clube nas redes sociais; no Twitter, no Instagram, Facebook e no YouTube. Procure por “Clube da Música Autoral,” que só de seguir, você já começa a fazer parte desse Clube.
E eu, estava prestes a finalizar esse episódio, se liga, ó… descobri que em 2011, o produtor, “Dudu Marote,” encontrou algumas matrizes de músicas inéditas, que não foram lançadas na fase Racional. São 6 incríveis faixas, restauradas e apelidadas de “Racional Vol III.
Essa que estamos ouvindo, é uma versão não finalizada de “Universo em Desencanto, Disco.” E olha, eu quero chamar muito a atenção de vocês, sobre esse fato importante… essa é uma canção estilo “Disco Music,” que antecede a chegada da Disco Music, em terras brasileiras. Dá pra entender o Tim Maia, cara? … ele era demais!
Tim Maia, ficou conhecido, por reclamar muito do retorno de som durante seus shows. Não sabemos se ele, atingiu a desmagnetização pra poder voltar ao Mundo Racional, ou se chegou ao céu ou ao inferno… enfim. O fato, é que, Tim, não precisa mais reclamar do som hoje em dia, pois para onde ele foi, infelizmente, não tem mais retorno. Apenas saudade de Tim Maia.
Meu Nome, é Gilson de Lazari e foi um prazer, falar de música com vocês.
Até a próxima!