Tudo é uma luta. Tudo é um esforço. Viver não é tão fácil quanto continuar respirando. Você precisa ir para a rua, precisa disputar com outras pessoas pra garantir o pão. Essa é a vida, uma disputa infindável, mas a verdadeira batalha nós disputamos contra nós mesmos.

Somos nosso maior desafio e não faltam formas de desistir. As drogas são apenas uma delas. Uma saída fácil para um mundo mais feliz dentro de um cachimbo.

E existe League of Legends. Uma saída complicada e cheia de estratégias que você precisa aprender. É como se, para dar uma tragada no seu tão delicioso crack, você precisasse ler 30 artigos sobre como tornar seu cachimbo mais efetivo, e ver vídeos sobre o como outros viciados fazem isso, muitos vídeos.

E se por acaso você fumar errado, todos os outros cracudos vão te xingar e pedir pra você nunca mais fumar crack de novo, porque no LOL, fumar crack é uma atividade em equipe e competitiva.

Sério, cara. Para de jogar. Deixa o LOL pra quem leva a sério. Deixa o crack pra quem mora na cracolândia.

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Mas você não pode mais deixar. Você teve o seu barato.

E no início tudo é muito empolgante. Infinitos campeões, itens, runas, pontos para gastar em habilidades…

Mas o barato do crack é rápido e uma partida de LOL dura aproximadamente sete horas. Por que nós fazemos isso com nós mesmos?

E seguimos perdidos, sozinhos, correndo na frente das tropas para a nossa morte certa. Seguimos solando na vida, isolados do mundo. Horas e horas na frente do computador. Completamente sozinhos, como um suporte abandonado na bot lane porque o ADC tá dando KS na PQP.

Eu aguentei alguns anos. Nunca se quer tinha visto o LOL. Sabia que ele existia, mas não queria nada com ele. Chega! Não tenho esse tempo livre. Prefiro jogar algo com uma boa história pra me entreter, se for esse o caso, do que algo competitivo. Não faz sentido – eu dizia – é como praticar salto em altura como hobbie.

Esse era eu, concordando que o LOL deveria ser deixado para quem leva a sério. Esse era eu antes.

Não sei o que eu sou agora. Não sei mais. Me entreguei para o vício. Jogo sempre. Se tenho 5 minutinhos eu jogo… mesmo uma partida levando no mínimo 70 vezes isso. Passei a fazer piadas com coisas que eu não entendia no meu primeiro dia de jogo. E ficar bom no jogo me deixa feliz.

Mas eu sei que, ao mesmo tempo em que eu melhoro no jogo, eu feedo a minha própria morte.

– Por Nigel Goodman