A Coluna Musical mais TURBO de todos os universos (Patrocínio Soraya Confecções) – #03

Eu não sei se vai ter Copa; não sei se não vai ter Copa. Tipo, Copa é do caralho. É o maior evento esportivo do mundo; e o esporte em questão, por acaso, é um que condensa a ideia de entretenimento a partir de dois ingredientes primordiais: brutalidade crua e delicadeza artística. Copa é do caralho e futebol é do caralho. Preferia que a Copa não fosse aqui? Sim. Mas o esporte em si e seu maior evento são do caralho.

Aí de uns tempos pra cá tem essa vibração aí dos HINOS DA COPA. Desde esses tempos aí que citei, existe também um hino oficial por edição da Copa. E de outros tempos pra cá tem várias outras surgidas de iniciativas publicitárias. Não é uma crítica engajada. É apenas um relato da realidade. Tanto que de vez em quando os publicitários acertam. Aquela lá do Junkie XL sampleando Elvis enquanto Ronaldo, Figo, Davids e altos craque style joga bola numa jaula com o Cantona de juiz. Ou quando usam aquele riff lá do Sérgio Mendes com imagens de gente jogando bola com todo tipo de roupa que não é o vestuário e equipamento adequado.

Neste ano, pra gente não deve ter tanta graça ver a Copa. Alguma, sim. Mas não toda. Tanto que eu nunca soube qual é o hino da Copa; mas desta vez eu não sei nenhum dos hinos da Copa. Muito porque eu desisti de saber o que tá rolando na atualidade em 2003. Mas outro tanto porque aparentemente agora cada artista do mundo faz um hino da Copa. Desde MC Guimé, passando por Shakira e sei lá mais o que. Acho que tem uma que é Tony Bennett com Marilyn Manson. Ou um holograma do Marvin Hamlisch conduzindo o Slipknot. Não lembro.

Tomado por inquietação mental inútil, decidi recorrer à minha senhôra, mulher adulta de boas relações diplomáticas com a realidade, para saber o que tava rolando a nível de hinos da Copa. Como estou movido a uma internet 3G com limitadíssima franquia de consumo; pedi a ela que fosse sucinta pois não dá pra ficar vendo Youtube demais. Ela me recomendou ater-me à música da Gaby Amarantos, artista emergente brazuca que ela ama loucamente, e à da Shakira, que é nada menos que a porra da Shakira.

Lá fui eu.

O som da Gaby Amarantos tem participação do Monobloco, banda cujo batuque pesado de carnaval possivelmente embalou centenas de gang bangs em repúblicas estudantis. E um outro manolo cantando aí, sei lá o nome do cara. Nunca vi mais gordo. E o clipe remete às propagandas de futebol moleque, gente de todo tipo jogando bola, umas moçada dançando, uns trio elétrico e tal. Mas o que chamou a atenção foi o quão orgânico é o som. Tipo percussão de verdade, Groove pra caralho.Dinâmica. A música respira. Quando entra o batuque pesado, você percebe que o som ficou mais cheio, mais alto. Ponto pra quem mexeu nesse áudio. Mesmo com toda a compressão necessária pra chapar o som e tocar alto em qualquer saída, o som respirou.

Especialmente se comparado à seção percussiva do som da Shakira. Para Gaby Amarantos, a percussão evocou a imagem de um ou vários seres humanos chutando bolas. Para Shakira, contudo, o tum-dum-dum pintou a imagem de um ciborgue forte e moreno servindo Mojitos em Ibiza. Real Drums, please. Chama o Monobloco aí.

Gaby Amarantos não tem o expoente internacional. Não tem orçamento pra um feature melhor e maior do que Monobloco e um manolo sem-nome aí. Todavia, isso não é tão degradante quanto ser a porra da Shakira e não ter ninguém melhor que Carlinhos Brown pra fazer a introdução. A participação dele excede a quota estabelecida de 0.001% do tempo total de uma música. Não pode não.

O ideal seria um dueto com as duas num clipe coloridão com pessoas jogam futebol usando várias roupas diferentes – todas, claro, compradas na Soraya Confecções.