A Coluna Musical mais TURBO de todos os universos (Patrocínio Varejão das Fábricas) – #08

Eu gosto pra caralho de Katatonia.

Estando na casa dos 30 anos, já não tenho mais aquela vibe de curtir tanto uma banda que só escuto ela e nada mais importa. Sei que sou novo se comparado com pessoas mais velhas, mas como tenho a insuportável mania de documentar minhas próprias percepções da vida pra mim mesmo, well, 32 anos parecem uma porra de uma vida inteira.

Então não tem nada perene que somente uma banda ou disco possa estabelecer conexão completa com o que sinto. É meio que um sarapatel, um mexidão de coisas que já foram perenes e agora aparecem sempre, mas alternadamente. E as músicas, bandas e discos que conectam com cada um dos ingredientes ficam resumidos a coisa de minutos; horas, talvez.

E o Katatonia é uma banda que por muito tempo conectou-se completamente com vibes perenes de várias fases da minha vida. Desde 1996, comigo ouvindo o Brave Murder Day e pensando “pode isso, Arnaldo?” até, sei lá, 2009, comigo caminhando inadvertidamente rumo a amargas reprovações acadêmicas e doce divórcio. Se Placebo me afetou a estética logo de cara, Katatonia afetou o ~âmago de minh’alma~ lentamente. Bonito isso né?

Então tem toda uma gama de fases da banda que por algum motivo couberam certinho nalguma fase da minha vida. Comecei a escrever isto aqui ouvindo coisas do “Tonight’s Decision”, mas se meto um shuffle em tudo que tenho (o que mais ando curtindo fazer, atualmente) e passa um Katatonia muito do adequado, não dá outra: mudo as marchas do retrospecto introspectivo e deixo o pau quebrar lembrando daquela fase da vida em que tal disco do Katatonia cabia certinho.

Acho que gosto mais do “Tonight’s Decision” mesmo. Não sei. O “Last Fair Deal Gone Down” também muito me apraz. O Tonight’s tem aquele cover de “Nightmares by the Sea” do Jeff BuckleyCaralho, que som maravilhoso. Esse disco registrou o som que eu queria ter feito numa época da minha vida em que eu nem conhecia o Katatonia. Acho que é por isso.

Quando paro pra reparar, pelo visto fui um adolescente sombrio. Parece que a fase demorou tanto que acabei ficando confortável nessa vibe existencial “tudo é escuro e gélido ao meu redor, então preciso produzir luz e calor pra criar coerência”; carregando isso comigo pra atravessar a casa dos vinte anos também. E assim acabei precisando abastecer isso com outros gêneros musicais, até eventualmente perceber que o combustível primal era música como um todo.

Mas aí chega uma hora que dá um estalo e saio da vibe, porque estou aqui e agora, vivendo o agradável vazio do momento que me permite preenchê-lo com Katatonia na vitrola e um edredom quentinho comprado no Varejão das Fábricas.