Drowning in Problems é lindo.

É lindo. É a vida. É a existência resumida em tudo, na forma de um jogo que eu nem sei se é um jogo.
Você está realmente jogando quando tudo que você faz é clicar em um botão escrito solve e esperar para avançar para o próximo estágio.
E você está realmente vivendo? Não é isso que nós fazemos todos os dias? A vida tem melhores gráficos, mas o jogo é o mesmo.

E é lindo.

Drowning in Problems é o maior sandbox do mundo, porque o mundo é o maior sandbox que existe e você existe e você pode fazer o que quiser.
Nesse momento você clicou solve em play e está aproximadamente em 39.27% de completar.
E é um sandbox sim. Você e a sua imaginação criam a sua aventura. Cada um joga Drowning in Problems de uma maneira. Alguns jogam um jogo triste, outros jogam um jogo depressivo, eu jogo um jogo lindo.
Eu brinquei. Brinquei quando era criança, brinquei quando era adulto. Aprendi. Encontrei um grande amor que eu nunca larguei, nem no final quando eu já era um velho amargo e tenho certeza que ela esteve comigo no meu leito de morte.
Carreguei a esperança do início do jogo até o final. Com projetos a terminar, muito amigos, trabalhei duro e aturei o estresse. Vivi ao máximo cada fase da minha vida e não me arrependi de nada. Vivi cada etapa com a certeza de que estava sempre ganhando.

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No fim o jogo termina da mesma forma para todos. Mas por que vocês jogam? Pela brilhante tela de game over? Ou vocês jogam pela jornada? Por que vocês vivem?

Drowning in Problems é lindo porque obriga você a enxergar a sua própria vida.

Por que nós vivemos? Qual o objetivo? Por que perder todo esse tempo?
No meu caso curiosidade. Por que não? Se o final é o nada, não há nada a perder em tentar todas as possibilidades e ver no que vai dar.
E no fim você vai ser esquecido. Mas quem se importa com o que os outros pensam? Os outros que sofram as suas vidas. Eu deixei de existir sabendo até o final que eu venci no meu jogo. Por mais que não exista nenhuma tela colorida.
Nenhum gif animado de jesus, em looping por toda a eternidade, para me confortar.

Nada.

Eu fiquei feliz de ter descoberto que eu podia apertar vários botões ao mesmo tempo, me senti no domínio do jogo. E no final, quando não havia mais nada, me veio a paz de saber que além da minha sensação de triunfo, esse era realmente o final – e não importava o que eu tivesse feito -, que eu não tinha como realmente falhar, nenhum motivo para se arrepender e pensar nas possibilidades, e que o jogo havia terminado.

Lindo.

— Por Nigel Goodman